Marco zero do teatro
Yuno Silva - repórterAncorado em quatro princípios básicos, também encarados como desafios, o Festival Internacional Cena Aberta faz sua primeira aparição este fim de semana na Ribeira. Pensado para inserir Natal no circuito nacional e internacional de festivais de teatro, o F.I.C.A. Natal surge cheio de segundas intenções: além de intencionar o intercâmbio cultural, pretende estreitar a relação do fazer artístico com o espaço urbano e provocar um novo olhar nas pessoas sobre a cidade – um olhar mais atento ao que se anda produzindo na esquina do continente em termos culturais.
Wlademir Alexandre
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Festival Internacional Cena Aberta pretende realizar, no segundo
semestre de 2014, mostra cênica com 18 espetáculos e 12 cenas curtas que
tenham capacidade de dialogar com o espaço urbano
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Festival Internacional Cena Aberta pretende realizar, no segundo
semestre de 2014, mostra cênica com 18 espetáculos e 12 cenas curtas que
tenham capacidade de dialogar com o espaço urbanoComo uma nau prestes a deixar o estaleiro para um passeio inaugural, o FICA realiza sua edição ‘marco zero’ nesta sexta (15), sábado (16) e domingo (17) com três espetáculos no palco da Casa da Ribeira. Amanhã, às 20h, o Grupo Estandarte de Teatro apresenta uma ‘prévia da pré-estreia’ de “Desaparecidos”, montagem que há dois anos está em processo de construção e fala sobre o caso não resolvido das cinco crianças desaparecidas no bairro Planalto entre 1998 e 2001.
No sábado, também às 20h, a coreógrafa e intérprete paulistana Zélia Monteiro traz o experimento “Danças Passageiras”, obra inusitada que alia técnica apurada com a improvisação; por fim no domingo (20h), o Grupo Carmin reapresenta o documental “Jacy” com suas revelações históricas e pessoais contidas em uma maleta abandonada no lixo.
“Essa edição ‘zero’ é o começo de um diálogo com a cidade, uma pequena mostra do que estamos planejando para o próximo ano”, disse Henrique Fontes, diretor da Casa da Ribeira. “Queremos mudar o olhar e inserir no imaginário das pessoas, que lembram apenas das praias quando se fala em Natal, de que aqui também se pensa e se produz arte contemporânea”, justificou. Experiências bem sucedidas como a Virada Cultural, o Circuito Cultural Ribeira e o ArtePraia serviram como laboratório para o FICA Natal.
Henrique informa que o festival lança seu foco sobre o teatro, a performance e a intervenção urbana, e chega para “unir forças” ao Encontro Nacional de Dança Contemporânea realizado por Diana Fontes. “São eventos de artes cênicas com perfis e focos diferentes, com o mesmo objetivo de incluir a cidade em um circuito mais amplo”.
Esta edição “zero” do evento conta com apoio do Sesc-RN e parceria do Itaú Cultural. Na sexta, para assistir o Grupo Estandarte, será no sistema “pague o quanto achar que vale”; o sábado é gratuito; e domingo os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia). A expectativa dos idealizadores é viabilizar o festival através de recursos federais, para “não gerar conflitos” com outros projetos que tramitam nas leis estadual e municipal de incentivo.
Ocupação descentralizada
Henrique Fontes adiantou que no primeiro semestre de 2014 será lançado um edital público para seleção de 21 ativações, sendo doze cenas curtas e nove espetáculos. “Há festivais que trabalham só com encenações de até 15 minutos, isso estimula a criação de células cênicas para a formatação de espetáculos maiores”, explica o ator e diretor. Já a intenção de envolver e criar “uma interface” com a cidade implica não só em ocupar praças e ruas, como também os diversos palcos – desde o centenário Alberto Maranhão ao moderno Riachuelo, passando pelo TCP e espaços alternativos como o Barracão dos Clowns, a sede do Facetas no Conjunto Pirangi e a própria Casa da Ribeira. “E quando o teatro da UFRN for inaugurado também”, acrescenta.
Além da seleção pública, a programação do FICA Natal, marcada para iniciar em outubro de 2014, “mês de entressafra dos principais festivais de teatro do país”, será reforçada por convites diretos. Já estão certas a presença do grupo Teatro do Concreto (DF), “cujos espetáculos dialogam com as ruas”; e a Companhia Brasileira de Teatro, que trará três montagens de seu repertório. “Ainda estamos negociando a vinda de mais três com diretor Enrique Diaz, da Cia dos Atores (RJ), que tem montado textos do canadense Daniel MacIvor”, informou Fontes, que deixou duas vagas, sob curadoria de com curadoria do encenador paulista Rafael Bicudo, para obras da América Latina que possuem relação com a rua.
Serviço
Edição número “zero” do F.I.C.A. Natal, com apresentações de espetáculos de teatro e dança sempre às 20h. Informações: facebook.com/casadaribeiracultura
. Sexta (15) – “Desaparecidos”, com o Grupo Estandarte de Teatro
. Sábado (16) – “Danças Passageiras”, experimento da coreógrafa e intérprete paulistana Zélia Monteiro
. Domingo (17) - “Jacy”, com o Grupo Carmin
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