TRILHA NO MUSEU EM CEARÁ-MIRIM

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

UPANEMA EM FOCO - OS ÍNDIOS PEGAS

  OS ÍNDIOS PEGAS

Os primeiros habitantes da região que hoje corresponde ao município de Upanema foram os índios tapuias (de língua travada), da nação dos Tarairius e da tribo Pegas. Os tapuias habitavam o interior de praticamente todo o nordeste, desde a Bahia até os sertões de estados como Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Dividiam-se em várias tribos e grupos.

“Os mais abalizados estudos apresentam como tendo pertencido ao grupo TARAIRIÚ, as seguintes tribos tapuias, muito citadas em nossa historiografia nordestina do período colonial: JANDUÍS, ARIÚS, ou PEGAS (liderados pelo “rei” Pecca), SUCURUS, CANINDÉS, JENIPAPOS, PAIACUS, PANATIS, JAVÓS, CAMAÇUS, TUCURIJUS, ARARIÚS, COREMAS”. (MEDEIROS FILHO, 2003, p. 41).
Outros nomes também são atribuídos aos nossos Pegas como Ariús, Ariás, Uriús e Ária. Eles habitavam desde as imediações do Vale do Açu até o Seridó. Há relatos de passagem dos Pegas também por cidades da Paraíba como Catolé do Rocha, Pombal e Patu que pertencia a Paraíba.
Baseado em antigos cronistas, Olavo de Medeiros Filho faz uma descrição apurada da aparência física dos tapuias e alguns de seus usos e costumes. Segundo ele:

“...Aqueles tapuias eram muito robustos, dotados de incrível força física. Possuíam uma cor atrigueirada, “um espessa pele bruna”. As mulheres eram consideradas bonitas de cara apresentando-se gordas e grossas. O olhar selvagem dos tapuias impressionava os cronistas. Possuíam as cabeças grandes e largas.....Em tais cabeças, encontra-se a origem dos “cabeças chatas” nordestinos.... seus cabelos eram pretos, espessos e ásperos..... Andavam inteiramente nus; apenas os homens atavam um cendal às suas partes genitais, e as mulheres usavam uma espécie de avental em torno dos quadris, confeccionado de folhas frescas. Os tapuias pintavam-se à maneira dos demais silvícolas: com tintas extraídas do jenipapo e do urucu. Portavam lindas penas de aves, introduziam ossos, penas, pedras e pedaços de madeira nas orelhas, narizes, bochechas e lábios. Calçavam sandálias, feitas da casca de uma árvore chamada caraguatá. Depilavam-se, inclusive as sobrancelhas”. (MEDEIROS FILHO, 2003, P. 41-42).
Alguns historiadores também relatam que os tapuias praticavam o endocanibalismo que é a antropofagia praticada com relação aos membros do próprio grupo, mas também eram adeptos da antropofagia para com os inimigos. Quando algum dos seus adoecia, eles sabiam utilizar as ervas medicinais que retiravam da natureza para tentar a cura, mas se esta não fosse possível, eles se despediam do doente e o matavam. Não escapava nada do cadáver, tudo era devorado com apetite voraz: além da carne, os ossos e até os cabelos eram comidos. O básico da alimentação desses índios era a caça e pesca além da extração ou coleta de produtos naturais não cultivados como o mel, raízes e ervas. Quando uma mulher dava a luz, era cozido o umbigo e a placenta e depois comidos. Caso desse a luz a uma criança morta, esta também servia de alimento.

Os nossos índios eram também adeptos da poligamia, ou seja, tinham mais de uma mulher ao mesmo tempo, chegando alguns, a terem mais de cinqüenta.
Por sua vez, devido à aspereza da vida nos sertões, as constantes guerras, sejam contra o homem branco ou contra tribos rivais, as crianças tinham que se adaptar rapidamente ao ambiente. Por isso, as crianças começavam a andar por volta dos dois meses de idade. É ainda nesse período que vão aprender a nadar, sendo jogados na água! Treinados desde muito cedo, os tarairiús eram temidos até mesmo pelas outras tribos devido a sua ferocidade sem igual. “Os tarairiús igualavam-se às feras, na velocidade do correr, atividade a que podiam se dedicar um dia inteiro. Às vezes, carregavam sobre os ombros um tronco de carnaúba, correndo com o mesmo três ou quatro léguas sem descansar”. (MEDEIROS FILHO, 2003, P. 47).
Não usavam o arco e flecha e sim, dardos envenenados lançados com uma espécie de canudo, e com o menor arranhão em seus oponentes vinham a causar a morte. Outra arma que utilizavam era um tipo de tacape, um pau pesado, mais grosso em uma das extremidades. No período da Guerra dos Bárbaros ou Guerra do Açu, a relatos de índios utilizando já armas de fogo. (ver figuras 4 e 5).

De um modo geral, os índios eram nômades, ou seja, não tinham moradias fixas. Isto descarta a antiga história difundida em nosso município que eles habitavam a Baixa das tropas, hoje sítio Lagoa Vermelha. Se eles habitaram lá, foi por um breve período de tempo pois, como eles não tinham moradias fixas eles andavam por toda a região, se prendendo por um curto período de tempo onde as condições fossem mais propícias, ou seja, locais que tivessem abundância de caça, pesca e extrativismo como a coleta de mel, frutos e raízes, visto que eles não praticavam regularmente a agricultura. Isso pode ser facilmente explicado pelas intempéries do clima da região, sempre sujeito a secas, o que os obrigava a uma constante busca de água e alimentos.

“...Não tinham aldeias nem casas ordenadas, passando a vida completamente ao ar livre. Mudavam frequentemente de acampamento, ao sabor das contingências alimentares. Os tapuias evitavam as marchas noturnas, com medo de cobras e serpentes, somente iniciando suas viagens após haver o sol desfeito o orvalho dos campos. Nos meses de novembro, dezembro e janeiro, quando o caju começava a madurecer, eles vinham para o litoral, pois eram raros os cajueiros no sertão....... Os tarairiús levantavam ramadas, em forma de um V invertido, com a finalidade de servirem de abrigo contra o sol ardente ou a chuva. À noite faziam imensas fogueiras, ao longo das quais estendiam suas redes para se aquecerem.... Quando acampados, procuravam iniciar o dia com um banho de rio, após o que esfregavam-se com areia grossa, banhando-se novamente em seguida..... Por ocasião das mudanças de acampamento, tomavam a medida de atear fogo ao mesmo......As mulheres e crianças transportavam as armas, as bagagens e os trastes...... Chegando ao local destinado ao novo acampamento, iam os tapuias cortar arvores, cravando os galhos e ramagens à beira dos rios para desfrutarem da sombra. Os homens saiam a apanhar peixes, ou para a caça e recolher o mel silvestre, enquanto as velhinhas dedicavam-se ao fabrico da farinha e seus pães. As mulheres cuidavam das lides culinárias, preparando as comidas e bebidas”. (MEDEIROS FILHO, 2003, P. 48-49).
Com o desenvolvimento da pecuária extensiva e sua expansão para o sertão da província, o Tapuia, que era temido pelo homem branco devido a sua ferocidade, força e velocidade, se tornou um empecilho para a colonização e o incremento dos criatórios de gado, haja vista que os índios não aceitavam facilmente a presença dos brancos.
Era preciso desocupar o território, pois:

“O gado bovino era essencial para os engenhos açucareiros da Zona da Mata nordestina: além de fornecer alimento para a população que se concentrava na faixa litorânea, era a força motriz dos primitivos engenhos. Como as terras dessa faixa eram ocupadas preferencialmente com a lavoura da cana-de-açúcar, fonte da riqueza de então, a criação de gado foi se interiorizando cada vez mais e acabou se tornando a principal atividade econômica das terras secas situadas sertão adentro”. (MONTEIRO, 2002. Pág. 100)
Os índios estavam causando danos, matando os colonizadores e vaqueiros da mesma forma matando o gado que pensavam se tratar de caça. A solução encontrada foi à eliminação dos nativos que se opusessem aos interesses dos colonizadores, pela força, morte ou rendição.

Os indígenas reagiram o que deflagrou o conflito que ficou conhecido como a Guerra dos Bárbaros ou Guerra do Açu no final do século XVII e que se prolongou até a década de 20 do século XVIII. Foi aí onde os últimos pegas da nossa região ou foram mortos, capturados, aldeados ou fugiram.

“A Guerra dos Bárbaros teve seu início no ano de 1683, sendo o seu epicentro a Capitania do Rio Grande. Como conseqüência de tal guerra, milhares de tapuias foram degolados, suas mulheres e crianças tornadas prisioneiras....... Outros milhares abrigaram-se junto as missões religiosas, escapando à morte ou à escravidão. Os que puderam, fugiram para o Piauí e Maranhão”. (MEDEIROS FILHO, 2003, P. 56).
Os últimos Pegas ficaram na Aldeia da Serra de Ibiapaba, em Viçosa no Ceará. Aldeia da Campina Grande na atual cidade de Campina Grande, na Paraíba. Aldeia dos Pegas que corresponde hoje ao município de Pombal na Paraíba. Aldeia Sant’Ana do Mipibu, atual São José do Mipibu no Rio Grande do Norte e na Missão dos Pegas localizadas na Serra de João do Vale no atual município de Belém do Brejo do Cruz na Paraíba.

Deste modo, após uma intensa miscigenação, os últimos Pegas vão desaparecer do nosso estado. Em 2000, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou a presença de 3168 Índios no Rio Grande do Norte. Em Upanema, quatro pessoas se declararam índios. (Censo 2000 – IBGE).
É a partir deste momento, segunda metade do século XVIII, que os primeiros homens brancos começaram a se fixar de forma mais fácil e gradual em nossa região, pois, não existia mais o índio bravio para impedi-los.
Em Upanema não foram encontrados vestígios indígenas de grande importância, mas alguns locais de possíveis passagens dos índios ainda precisam serem melhor estudados, como os sítios Riacho Fundo, Umarí e Santa Maria.

FONTE: historiadeupanema.blogspot.com

UPANEMA EM FOCO - A HISTÓRIA DE UM POVO MILENAR

A PRÉ-HISTÓRIA DE UPANEMA

Desde há muito tempo este território foi habitado, provavelmente tendo chegado os primeiros índios a esta região no período Formativo da pré-história da América.

O município de Upanema possui atualmente dois sítios arqueológicos catalogados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como também pelo NEA (Núcleo de Estudos Arqueológicos) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. São os sítios de Umarí e do Riacho Fundo.
No sítio de Umarí foram encontradas gravuras rupestres na “Pedra do Sino” (tem esse nome devido ao som que é emitido ao se bater nela com algum objeto), sendo difícil à identificação de suas figuras, isto porque além da degradação natural, esse local tem sido alvo de “vândalos”, o que se constitui uma verdadeira ameaça contra o nosso patrimônio histórico e sendo este um dos fatores que estão contribuindo para o desaparecimento dessas pinturas. O grau de integridade das figuras está em cerca de 25% de acordo com o NEA. As figuras se encontram em formações rochosas soltas no meio da caatinga, em uma propriedade particular, e localizadas bem próximas ao rio Upanema.

Em relação ao outro sítio arqueológico, o do Riacho Fundo, as pinturas se encontram, de certa forma, protegidas pela própria natureza visto que o local é de difícil acesso, mas ainda sim exposto à decomposição por fatores naturais como sol, chuva e etc. As pinturas estão localizadas no chamado “Serrotão” (uma formação rochosa com cerca de 100 metros de altitude no meio da caatinga). O sítio também está localizado em uma propriedade particular, bem próximo à barragem de Umarí. Ainda segundo o NEA, o grau de integridade dessas gravuras varia entre 25% e 75%. Próximo ao Serrotão, onde são encontradas as principais gravuras, existem outras formações rochosas que também contêm gravuras, mas, em menor número.
Os motivos da arte rupestre são em geral, bastante variados. Alguns grupos utilizaram o motivo geométrico que representa traços, círculos etc., como é o caso do sítio Santa Maria, que esta no território de Campo Grande, no limite com Upanema. Lá encontramos vários pontos feitos na pedra representando possivelmente uma espécie de calendário. Existe também o chamado motivo figurativo que representam animais, pessoas, objetos etc.

No sítio Riacho Fundo, encontramos tanto os motivos geométricos como o figurativo que aparece em maior número. Essas gravuras são bem legíveis, destacando-se uma espécie de barco, figuras humanas e também de animais além de muitos símbolos não identificáveis.

Não se sabe ao certo quem são os autores dessas gravuras rupestres nem as datas em que foram feitas. O mais provável é que, devido à diferença de gravuras e estilos, vários grupos as tenham feitas ao longo de centenas ou quem sabe milhares de anos. A se ter uma idéia, os sítios de Umarí, Riacho Fundo e Santa Maria se encontram relativamente próximos uns dos outros, mas em nenhum encontramos gravuras semelhantes. Uma outra possibilidade que vem sendo levantada é sobre terem sido os índios os autores de algumas delas, pois demonstram terem menos de quinhentos anos. Isto só poderá ser esclarecido somente com maiores pesquisas.


É importante destacar que se faz necessário nesses sítios arqueológicos uma preservação sistemática e também preventiva. Não podemos deixar que este nosso patrimônio histórico seja dilapidado. Para isso, uma alternativa viável seria o desenvolvimento do potencial turístico desses sítios arqueológicos visto que, devido à proximidade dos sítios com a Barragem de Umarí, pode-se, facilmente, elaborar um bom roteiro turístico e transformar Upanema em um ponto turístico da região, como acontece em outras cidades. Para isso, precisa-se de políticas públicas voltadas para a preservação destes sítios, caso contrário, eles serão destruídos.

A CHEGADA DO HOMEM BRANCO 

A fixação dos primeiros povoadores brancos em Upanema é, portanto, igual modo, fruto dá expansão, no século XVIII, da pecuária extensiva que vai colonizar o sertão do nosso Estado. É aí que sesmeiros e posseiros vão passar a residir por estas terras, graças ao ciclo do gado. Exemplo disso são os topônimos que ainda hoje dão nome a várias cidades e localidades do Estado como Currais Novos, Pau dos Ferros, Campo Grande e a primeira denominação que Upanema vai receber: o chamado Curral da Várzea, demonstrando claramente a importância da pecuária na região. “Assim, ao fechar-se o século XVIII, todo o território da capitania do Rio Grande estava povoado pelos colonizadores e as bases de sua estrutura econômica, social e política haviam sido implantadas”. (MONTEIRO, 2002, P. 121).

Com o crescimento do povoado, apesar de muito lento, também foi se descobrindo pelos moradores a utilidade de um outro produto muito abundante na região, a carnaúba (copernicia cerifera) que com sua palha e madeira eram feitos os telhados de suas casas. Os moradores por sua vez, sempre homenageando o que aparentemente lhe ajuda, passam a chamar a povoação de Rua da Palha. É preciso que esqueçamos o que entendemos hoje em dia por rua, pois não condiz com a histórica Rua da Palha que nada mais era do que algumas casas, de certa forma distantes umas das outras, mas alinhadas, o que a época já era considerada uma rua, pois de uma casa dava para ver a outra.

No dia 16 de setembro de 1953, pela Lei estadual nº 874, Upanema desmembrou-se de Campo Grande, tornando-se município do Rio Grande do Norte.

FONTE: historiadeupanema.blogspot.com

UPANEMA EM FOCO - A BANDEIRA

UPANEMA EM FOCO - A PRIMEIRA CASA

 
  
 

Casa localizada na Avenida Salviano Florêncio ou Rua Velha ou ainda Rua da Delegacia.

Era conhecida como "Casa de Seu Luizinho Afonso", tendo em vista que ele morou ali durante muitos anos.

Foi provavelmente a primeira construção erguida com tijolo cozido e barro da localidade.

Seguindo padrões da época não havia recursos de pilastra, laje ou concreto simples e armado.

Há relatos de que sua construção foi realizada entre 1895 a 1900 e que deva ter sido construída por alguns destes pedreiros: João Afonso, João Golberto, Manoel Tertuliano, e Chico Agostinho que ficaram famosos por fazerem parte dos pedreiros que erguerem a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição em tijolo.

Durante muitos anos a casa de seu Luizinho, como era conhecida, foi referencial para os feirantes e estudantes dos sítios, pois a sua “latada” servia de sombra para amarrarem seus animais após a travessia do rio vindo dos sítios da região.

Devido infiltrações e o cupim ter atacado a madeira, no final da década de oitenta, como havia risco de desabamento, ao invés de reformarem a casa acharam melhor derrubá-la!



FOTO: www.historiadeupanema.blogspot.com.

FONTE: imagensdeupanema.blogspot.com

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